Diz-se que as próximas guerras acontecerão em consequência da disputa pela água. Não é preciso ter olhos para enxergar que a guerra já está declarada em todo o mundo. Quantos jovens foram mortos e quantos outros feridos depois de 7 dias de tiros, manifestações e porrada às vésperas do 10 de abril de 2000 quando o povo boliviano expulsou de seu território a Águas Del Tunari, uma empresa subsidiária da gigante Bechtel Corporation, com sede em São Francisco (USA).
Essa batalha nas ruas de Cochabamba decorreu da privatização das águas em favor da multinacional, um acordo entre os partidos de direita brindado na luxuosa casa do ex-presidente Gonzalo Sanchez de Lozada. A partir daí a população nativa foi proibida de usar poços ou até mesmo a água da chuva. A população revidou pelo instinto de vida de um povo indígena sofrido, vitorioso naquele momento, mas muitas outras vezes derrotados pela gananciosa guerra do poder.
No entanto, este fato está cada vez mais comum e em breve haverá de chegar aos nossos lares, como se já não tivesse chegado, pois observe o preço da água que está quase tão salgada quando um gole no mar. Outros problemas advirão com a escassez deste cristalino recurso que Deus nos deu e que a maltratada natureza poderá retirar.
No Uruguai, em 2002, o Fundo Monetário Nacional exigiu, na carta de intenções, o compromisso de privatizar os serviços de abastecimento de água e saneamento básico nacional. Devemos agradecer por ainda existir no Brasil empresas com capital majoritário do Governo, como a exemplo da EMBASA na Bahia, a COPASA em Minas Gerais e a CESAN no Espírito Santo. Se algum dia as águas caírem em mãos neoliberais como as idéias defendidas pelo ex-presidente FHC, nossos serviços de abastecimento de água e esgoto poderão cair em maus lençóis.
No dia 18 de junho o Extremo Sul conduziu uma valorosa plenária na formação de dois Comitês de Recursos Hídricos. O primeiro foi o Comitê de Bacia do Rio Mucuri que irriga os municípios de Mucuri e Nova Viçosa. O segundo, o Comitê dos rios Peruípe, Alcobaça (ou Itanhém) e Rio Jucuruçú, que percorrem os municípios de Caravelas, Prado, Alcobaça, Teixeira de Freitas, Jucuruçú, Itamarajú, Itanhém, Vereda, Ibirapuã, Medeiros Neto e Lajedão. Foi a maior e mais importante iniciativa popular em favor das águas no extremo sul baiano.
A legislação na Bahia conseguiu, pelo menos em teoria até agora, fazer com que a gestão dos recursos hídricos seja pública, no sentido literal da palavra, isto é, esteja baseada em critérios de participação social e sustentabilidade econômica. Somos um dos primeiros estados da federação a alcançar organização nesse sentido. O Governador Wagner, com a criação do INGÁ – Instituto de Gestão das Águas e Clima há cerca de um ano, impulsionou a política em defesa do bem mais valioso na face do planeta.
o Para ter acesso e participar dos debates e da formação do Comitê de Recursos Hídricos no Extremo Sul, foi formado um grupo de ONGs, Gestores Públicos e Empresas dispostas a debater e contribuir na gestão do uso das nossas águas. O endereço para e-mail é recursoshidricosbahia@googlegroups.com e a página do grupo pode ser encontrada em groups.google.com.br - Recursos Hídricos Extremo Sul da Bahia.
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O Hidronegócio na Bolívia é o símbolo de como o comércio internacional corrói a soberania e coloca o lucro das empresas acima dos interesses nacionais, que depois de promulgado o acordo comemoraram chiques com jantares e champanhe.
Nos últimos dias nosso Extremo Sul foi presenteado pela lei que instituiu a Reserva Extrativista de Cassurubá, (Barra Velha em Nova Viçosa). Um momento especial para que a mãe natureza possa acreditar nas boas ações dos homens, e os homens, que precisam desenvolver os seus negócios, possam acreditar e apresentar a sustentabilidade dos seus projetos.
O governo quer com isso o desenvolvimento e o crescimento econômico, mas observem caros leitores que nem sempre uma economia eficiente corresponde à eficácia no desenvolvimento. Esta premissa nos faz compreender que não adianta abrir a galinha dos ovos de ouro para preparar a galinhada sendo que amanhã será um novo dia...
A poluição das águas no Extremo Sul tem ocorrido pelo uso inadequado e indiscriminado de defensivos agrícolas, em extensas áreas de terra, e remete resíduos tóxicos para os nossos rios lençóis d’água. 63% da água consumida no Brasil advêm da irrigação para a produção agrícola. As indústrias, grandes usuárias de água, consomem outros 20%. E o ser humano utiliza cerca de 10% da água doce disponível no planeta terra. E o amanhã, o que será?
Elias de Castro Amorim é economista e professor universitário e Gerente da SUDIC.
Você está lendo uma coluna escrita por: Elias Amorim
04/07/2009